Sinto as pernas pesadas, e agora?

por 13 Abril 2020

Na maior parte das vezes, a sensação de pernas pesadas, dor e edema, tem a ver principalmente com as varizes, mas vamos primeiro entender um pouco o que são varizes.

Varizes

São dilatações ou tortuosidades das veias superficiais do corpo. Geralmente, formam-se nas pernas imediatamente por baixo da pele. Na maior parte dos casos, as pessoas passam sentir sensação de plenitude, fadiga, pressão ou dor no local. Entre as possíveis complicações, estão a ocorrência de hemorragias ou tromboflebite.

Entre os fatores de risco estão a obesidade, falta de exercício físico, muitas horas em pé em posições estáticas, trauma na perna, antecedentes familiares da doença ou uma alimentação incorreta. Em alguns casos, são o resultado de insuficiência venosa crónica ou hipertensão venosa. O mecanismo subjacente envolve insuficiência ou fraqueza estrutural nas válvulas das veias.

As varizes são uma doença distinta da telangiectasia, que afeta os vasos capilares de menor dimensão. As varizes são bastante comuns, afetando cerca de 30% da população em algum momento da vida. São mais comuns à medida que a idade avança. A condição afeta duas vezes mais mulheres do que homens. As varizes têm sido frequentemente descritas ao longo da História e os primeiros tratamentos cirúrgicos datam pelo menos do ano 400 d.C.

Além do problema estético, habitualmente o paciente queixa-se de dores nos membros inferiores, sobretudo quando está de pé. Estas dores são muitas vezes referidas como uma sensação de peso ou tensão, mas pode também ser referido prurido e ardor. Estes sintomas devem-se a um aumento da pressão venosa distal. Poderá haver edema do membro afetado, sobretudo quando o paciente é obrigado a permanecer longas horas de pé, parado.

Com a evolução e o agravamento da doença, desenvolve-se nos pontos de maior declive um processo de distrofia tissular caraterizado por uma reação inflamatória com endurecimento cutâneo e do tecido celular subcutâneo (lesão pré-ulcerosa); se a doença venosa não for tratada, o processo ulceroso desenvolve-se e pode arrastar-se durante anos . O tratamento da úlcera varicosa é extremamente difícil se o problema de drenagem não for resolvido.

Hipócrates, “De morbo sacro”

A história desta patologia remonta muito provavelmente a 1550 A.C., data atribuída ao célebre papiro de Ebers, um dos mais antigos documentos sobre Medicina egípcia, descoberto em 1873.

Neste documento, as varizes são descritas como: “dilatações serpentiformes, enroladas e endurecidas, com nódulos e como cheias de ar.” Posteriormente, Hipócrates, (Cós, 460 a.C. — Tessália, 370 a.C.) descendente em 17º grau do Deus da Medicina grega Asclépio (segundo relatos da época), descreveu que “o repouso fazia bem às varizes”, que “não era bom estar de pé se houvesse úlcera” que “uma ferida podia provocar uma grande úlcera nos membros com varizes”, que “pela veia cava o sangue chegava ao ventrículo direito”.

Isto, antes de ter sido descoberta a circulação do sangue. Tratava as varizes enfaixando as pernas e os edemas aplicando frio que também usava como anestésico. E foi o primeiro a relatar a esclerose de uma veia varicosa, provavelmente após uma tromboflebite. Um conhecimento impressionante em tão remota época.

Como tratar?

O tratamento consiste em alterações no estilo de vida.

As alterações no estilo de vida podem ser por exemplo, prática de exercício físico, elevação das pernas e perda de peso, entre outros.
Podemos em muitos casos fazer um tratamento muito simples que passa pela ingestão diária de dois chás específicos, são eles a vinha vermelha, também conhecida como videira vermelha, e o Ginkgo Biloba.

Nota: Evitar as saquetas, este tratamento deve ser feito com a planta.

1.º Passo – Durante a Manhã

  • Planta usada:Vinha vermelha.
  • Constituintes: taninos, flavonóides, antocianinas, oligo-proantocianidinas.
  • Partes utilizadas: Folhas
  • Efeitos: Angioprotetor, adstringente, vasoconstritor
  • Indicações: Distúrbios venosos, pernas pesadas, insuficiência venosa crónica, varizes, hemorroidas.

Modo de preparação

  1. Deve ser tomado meio litro desta infusão durante a manhã.
  2. 50gm da planta para meio litro de água, colocar na água antes de começar a aquecer a água, depois de levantar fervura deixar ferver cinco minutos, desligar a fonte de calor, deixar repousar dois minutos, coar para garrafa de vidro e ir bebendo durante a manhã.

2.º Passo – Durante a Tarde

  • Planta usada: Ginkgo Biloba.
  • Constituintes: Flavonóides – Diterpenos: ginkgolidos A, B, C – Glicosídeos – Lactona terpénicas.
  • Partes utilizadas: Folhas de Ginkgo Biloba
  • Efeitos: Antioxidante, inibidor da agregação plaquetária, regulador da vascularização do cérebro.
  • Indicações: Como esta planta trata principalmente o sangue periférico, ajuda ainda no combate à perda da memória, por exemplo em idosos (possivelmente na doença de Alzheimer), os distúrbios de concentração, os distúrbios vasculares periféricos, os zumbidos no ouvido ou vertigens, a ansiedade (conforme estudos de 2007). Graças às suas moléculas, o Ginkgo Biloba exerce também um efeito antioxidante e protetor. Esta planta pode ter virtudes preventivas contra os tumores e a aterosclerose.

Modo de preparação

  1. Deve ser tomado meio litro desta infusão durante a tarde.
  2. 50gm da planta para meio litro de água, colocar na água antes de começar a aquecer a água, depois de levantar fervura deixar ferver cinco minutos, desligar a fonte de calor, deixar repousar dois minutos, coar para garrafa de vidro e ir bebendo durante a tarde.

Estes tratamentos podem ser feito durante muito tempo em continuidade.

Alguns cuidados como contra-indicações

Mulheres grávidas ou em processo de amamentação, pessoas com hemofilia, ou 48 horas antes de cirurgias.

Nota importante: este Tratamento não substitui uma consulta quer no seu médico de família ou um especialista em Fitoterapia ou Medicina Tradicional Chinesa devidamente habilitados e certificados.

Lembre-se, um chá também é um medicamento.